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domingo, 8 de março de 2015







Se hei de morrer no caminho
que seja
entre os campos de trevo

Matsuo Bashô






Das cerejeiras em flor
ao pinheiro de dois troncos:
três meses

Matsuo Bashô






O berço da poesia
os cantos dos plantadores de arroz
no longínquo norte

Matsuo Bashô






Que glória
as folhas verdes as folhas novas
sob a luz do sol

Matsuo Bashô






Um vento glacial sopra
Os olhos dos gatos
pestanejam

 Matsuo Bashô





Admirável aquele
cuja vida é um contínuo
relâmpago

Matsuo Bashô






Sensação de vazio
Ao despedir-me colhi
uma espiga de trigo

Matsuo Bashô






Visto à luz do sol
é apenas mais um inseto
o pirilampo

Matsuo Bashô





Com relutância
emerge e abelha
do coração da peônia

Matsuo Bashô







Lua cheia:
para repousar os olhos
uma nuvem de tempos a tempos

Matsuo Bashô






Flores de cerejeira no céu escuro
e entre elas a melancolia
quase a florir

Matsuo Bashô






A uma papoula
deixa as asas a borboleta
como recordação

Matsuo Bashô






A cada sopro do vento
muda de folha
a borboleta no salgueiro

Matsuo Bashô






Brisa ligeira
A sombra da glicínia
estremece

Matsuo Bashô






Não esqueças nunca
o gosto solitário
do orvalho

Matsuo Bashô

sexta-feira, 6 de março de 2015







Nesta noite
ninguém pode deitar-se:
lua cheia.


Matsuo Bashô

quinta-feira, 5 de março de 2015






Noite sem lua ou estrelas
o bebedor de sakê
bebe sozinho.

Matsuo Bashô

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015






surgidos do escuro,
somem na moita, na noite:
amores de um gato

Kobayashi Issa





pérolas de orvalho!
olho e vejo em cada gota
a minha casa-espelho

Kobayashi Issa





Calma de primavera -
O monge da montanha
Espia através da cerca.

Kobayashi Issa